sábado, 31 de janeiro de 2009

Para além de ser necessária uma mudança de Governo, mais necessária ainda é uma mudança de política

Segundo o site “Portugal Diário”, o líder do PSD da Madeira, Dr. Alberto João Jardim, acusou ontem o Governo Sócrates de “ter destruído Portugal e de ter encaminhado o país para a fossa”.
Jardim falava num jantar organizado pelo seu partido, no qual afirmou também sentir-se “chocado com a falta de coragem de muita gente que nada fez para alterar o rumo do país”, enfatizando ser necessário “tirar Portugal da fossa em que está mergulhado”.

Numa coisa estou de acordo com o Dr. Alberto João Jardim... Portugal bateu no fundo e está mergulhado na "fossa".
Mas, do meu ponto de vista, isto não se deve somente à acção do actual Governo de incompetentes que temos, deve-se também à acção dos outros governos que o antecederam, de há 30 anos para cá.
Neste lapso de tempo a política aplicada foi sempre a mesma: prejudicar quem produz e beneficiar as grandes fortunas e as grandes empresas.
Por esse motivo, mais do que tirar Sócrates e seus pares do Governo, o que realmente deve acontecer, é uma mudança de política, na qual se abandone o neo-liberalismo e se ponham em prática linhas de orientação mais consentâneas com os anseios e necessidades dos trabalhadores, dos desempregados, dos jovens e dos reformados.
Neste caso, a questão que se coloca é que não há na esfera política dominante, também conhecida como Bloco Central, um só político que esteja disposto a governar beneficiando os mais desfavorecidos, ainda que para tal se tenham que onerar com mais impostos as grandes fortunase as grandes empresas.
Mediante este cenário, e porque tenho bem presente que não há condições subjectivas nem objectivas para haver outra revolução, temo desiludir os mais optimistas afirmando que continuaremos condenados a esta escravidão política e social por muitos mais anos.


Francisco Balsinha

A crise económica é sempre paga pelos mesmos, seja em Portugal, em França, nos EUA ou em qualquer outro país do chamado mundo ocidental

Há muitas coisas que não entendo e uma delas é o facto de as crises económicas que, de quando a quando, assolam o mundo ocidental serem sempre vistas como algo natural, não havendo por isso culpados para o seu surgimento.
O caso de Portugal é um pouco diferente. Creio que todos nós, desde que nascemos, ouvimos diáriamente dizer que o país está em crise e o que é facto é que realmente está.
Essa crise existe nos mais diversos aspectos: económico, social, laboral, de valores e, o que é bem triste, nem a crise de vergonha escapa.
Mas voltemos ao tema central desta peça que é a crise económica nacional e internacional.
Esta crise existe porque os países, cada um de per si, aplicaram políticamente os ditames da sociedade de consumo e começaram a gastar mais do que aquilo que na realidade produzem.
Sendo esta uma verdade objectiva, há, contudo, motivos diferentes e particulares da crise económica existente em cada país.
Se olharmos para aquele que alguns chamam o país mais poderoso do mundo, os Estados Unidos da América, facilmente concluiremos que a pobreza agora evidenciada pela economia americana se deve, em grande parte, à política desregrada e belicista de Gorge W. Bush, o qual ao mandar invadir o Iraque e ao manter a presença militar do seu país no Afeganistão, não fez bem as contas ao que essas acções militares iriam custar e o descalabro começou por aí.
É claro que, para além disso, ainda há o problema do crédito mal parado, da construção civil, da falida bolsa de Nova Yorque e de mais uns quantos sectores que, todos juntos, fizeram os EUA caírem no buraco económico em que agora se encontram.
Muitas economias foram arrastadas para o colapso económico pela crise instalada nos Estados Unidos, nomeadamente, com a falência de grandes multinacionais e com a descida da cotação do dólar.
No caso português, o Governo Sócrates andava radiante da vida antes do despoletar desta crise porque, segundo anunciava, as contas públicas portuguesas estavam estabilizadas e a tendência da economia lusa apontava para o crescimento.
Como se viu, nada daquilo que se apregoava tinha qualquer semelhança com a verdade.
A comprová-lo são públicos diversos relatórios oriundos de Bruxelas que desmentem Sócrates e seus pares.
Tanto em Portugal, como nos Estados Unidos da América, como em França, como na generalidade dos países ocidentais atingidos por esta recessão, muitas empresas têm-se visto obrigadas a fechar as suas portas, deixando no desemprego um número incálculavel de trabalhadores, ao passo que outras, também devido à queda do consumo, reduzem drásticamente o seu quadro de assalariados, atirando também muita gente para o desemprego.
Como disse no início deste meu artigo de opinião, há muitas coisas que eu não percebo e uma delas é precisamente esta: subindo o número de desempregados, seja em que país fôr, essa facto gera duas situações:

1) Os trabalhadores desempregados deixam de contribuir para o Estado e, ao mesmo tempo, passam a onerá-lo com os respectivos subsídios de desemprego;
2) Havendo menos mão de obra a trabalhar há menos produção de riqueza.
Creio que não é preciso ser economista para se chegar a esta lógica tão simples.
Havendo menos produção de riqueza, há que “apertar o cinto”, estando esta medida apenas confinada aos trabalhadores, que não vêm aumentos e que vêm o custo de vida aumentar, aos idosos que já não têm dinheiro senão para os medicamentos e aos mais desfavorecidos da sociedade.
Os ricos não têm que apertar o cinto porque, como sabemos, têm as suas reservas financeiras que, mesmo beliscadas pela flutuação do mercado, dão para superar esta crise e quantas mais crises houver.
Como sabemos – todos sabemos isso, ricos, pobres, remediados, letrados e analfabetos – são sempre os mesmos a pagar a crise gerada por um sistema político que só beneficia a classe mais alta da sociedade, seja no nosso país ou em outro país qualquer dito do primeiro mundo.
A coberto da crise, para além dos ricos, estão os novos ricos que passaram pela direcção dos partidos à direita do PS, inclusivé, e pelos anteriores governos e que hoje estão prosápiamente sentados nos cadeirões das administrações de empresas públicas e privadas para onde lhes arranjaram “tacho”.
Se perguntarem aos trabalhadores se eles acham que contribuiram para degeneração desta crise económica, a resposta será necessáriamente negativa.
Por outro lado, os governantes sabem bem que a crise não cresceu à custa de quem cria riqueza, os trabalhadores, então porque continuar a fazer com que sejam eles a arcar com o onús da questão?
É isto que eu não entendo...!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

É necessário um novo equilibrio militar geoestratégico no mundo


Longe vão os tempos da chamada Guerra Fria, quando os dois blocos militares existentes à face da terra tentavam a todo o custo saber o que se passava do outro lado e, ao mesmo tempo, impôr a paz ditada pelas armas.
Com a derrocada da União Soviética, um desses blocos (Pacto de Varsóvia) acabou também por desmoronar-se, o que fez com que a Nato passasse a ser a única Aliança Militar estratégica do planeta.
A Nato, desde a sua criação, sempre foi dirigida pelos Estados Unidos da América e sempre esteve ao serviço deste país.
Postas as coisas neste pé, não admira que soldados dessa organização, oriundos de vários países, tenham estado por mais que uma vez em distintos teatros de guerra, sempre defendendo interesses americanos e às ordens de militares de patente desse país ou de outros de países “amigos”, mas sempre com o mesmo objectivo.
Hoje, poucas pessoas duvidarão que a invasão do Iraque ou a presença americana no Afeganistão só foram e são possíveis pelo facto de não haver nenhuma estrutura militar organizada que faça os americanos pensar duas vezes.
A par destas guerras, nas quais os EUA estão presentes apenas por questões económicas, a anterior administração de Gorge W. Bush tratou de hegemonizar ainda mais a presença do seu país em várias partes do globo, nomeadamente através da instalação de bases de mísseis de médio alcance em vários países e latitudes.
A instalação dessas estruturas serve fins militares, mas também fins políticos, já que muitas delas estão estratégicamente colocadas de forma a intimidarem países com regimes progressistas, como é o caso da Venezuela, da Bolívia ou da massacrada Cuba.
A próxima escalada militar idealizada por esse ébrio incorrigível que dá pelo nome de Bush, previa a instalação de mais mísseis de médio alcance na República Checa, na Polónia e na Geórgia, países próximos ou fronteiriços com a Rússia, de modo a intimidar os dirigentes e o Povo deste país.
Cientes de mais esta provocação, o Presidente Dimitri Medvedev e o Primeiro-Ministro Vladimir Putin, advertiram a Casa Branca do extremismo de tal posição e avisaram os dirigentes americanos que responderiam à letra e na mesmo moeda, instalando também eles bases de mísseis de médio alcance não muito longe do território dos EUA.
É neste quadro que o Presidente venezuelano Hugo Chavéz ofereceu o seu país à Rússia para esta ali instalar os seus míseis de médio alcance.
No entanto, sabedores dos enormes custos e desvios económicos que provocaria uma nova e desenfreada corrida aos armamentos, os dirigentes russos decidiram tentar a via diplomática para resolver esta questão.
Foi assim que em Novembro de 2008 Medvedev viajou por alguns países da América Central e do Sul, tentando mostrar aos seus anfitriões a razão de ser da posição russa sobre este assunto e, ao mesmo tempo, trabalhando para melhorar as relações bilaterais com países daquela região.
Segundo alguns analistas internacionais, a visita de Dimitri Medvedev ao outro lado do mundo foi muito positiva, tendo inclusivé servido para fechar alguns acordos de interesse de ambas as partes.
Hoje, 28 de Janeiro de 2008, chegou a Moscovo o Presidente cubano Raul Castro, para uma visita de uma semana à Rússia.
Esta visita reveste-se de pleno significado, porque é a primeira vez que um alto dirigente cubano visita aquele país depois da Perestroika.
Raúl encontrar-se-á com o seu anfitrião Medvedev e com o Primeiro-Ministro Vladimir Putin.
Da agenda de trabalhos faz parte uma análise conjunta da situação internacional e a assinatura de vários acordos de interesse bilateral.
Creio que todos nós, democratas, devemos saudar a reaproximação dos povos russo e cubano, ambos não alinhados com os Estados Unidos da América e, ao mesmo tempo, ter a esperança que outros países venham a juntar-se a estes numa frente de paz capaz de começar a pôr em respeito os chefes militares americanos mais belicistas.
O que defendo nestas últimas linhas é sumamente importante para o estabelecimento de um novo equilibro geoestratégico a nível mundial e é, sem sombra de dúvida, uma muleta política para o programa de paz avançado por Barack Obama.


Francisco Balsinha

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O Povo da Bolivia aprovou por larga maioria a nova Constituição progressista


A Bolívia está a viver momentos históricos desde que no passado fim de semana o Povo daquele país votou sem margem para dúvidas (60% dos votos) a aprovação em referendo da nova Consituição boliviana.
Este novo diploma aponta o rumo ao socialismo e dá mais expressão à voz dos ìndigenas, Povo maioritário daquele país.
Após ter tomado conhecimento do resultado do referendo, o Presidente Evo Morales exultou de alegria e afirmou aos seus concidadãos que a aprovação da nova Constituição fará refundar a Bolívia, ao mesmo tempo que enterrará definitivamente os colonialismos interno e externo e porá fim ao neo-liberalismo.
Compreende-se perfeitamente a alegria de Morales e da maioria do Povo que escreveu esta página brilhante da historia boliviana.
O seu país foi colonizado durante muitos e muitos ano, e as suas riquezas pilhadas, entre as quais o petróleo, sem que os governos de direita, que estavam no poder, fizessem algo para estancar a roubalheira.
Durante essa infinidade de anos, os bolivianos de uma maneira geral e em particular o Povo ìndigena, viram-se privados da liberdade e dos mais elementares direitos humanos, vivendo no mais puro obscurantismo e com fome.
A eleição de Evo Morales como Presidente da República da Bolívia foi como que uma entrada de uma lufada de ar fresco naquele país e nunca mais nada foi como antes.
Morales e o seu Governo distribuiram terras, nacionalizaram alguns sectores importantes da economia e enfrentaram estoicamente a reacção direitista interna e externa, encabeçada pelos Estados Unidos da América.
Os únicos apoios de que a Bolivia dispôs – e continua a dispôr - no campo internacional, foram-lhe prestados quase em exclusividade pela Venezuela e por Cuba.
No entanto, uma revolução socialista não se faz nem se concretiza enquanto vigorarem na sociedade leis que mantenham a velha estrutura capitalista de pé.
É por isso que a aprovação desta nova Constituição boliviana encheu de regozijo todos os progressistas daquele país e os muitos progressistas estrangeiros apoiantes da revolução.
A partir de agora, quando o Governo ou os deputados aprovarem diplomas que contenham no seu índice programático uma maior e mais equitativa distribuição da riqueza, incentivos à produção nacional ou a nacionalização de alguns meios de produção ainda nas mãos de estrangeiros, estarão respaldados por uma Constituição nova, progressista e consentânea com a ideia da revolução bolivariana de Simon Bolívar.
Este reforço da política de cariz progressista nesta parte do globo, para além de ser mais uma espinha encravada na garganta da oligarquia capitalista americana, é, acima de tudo, um exemplo para todos os povos da América do Sul que ainda se encontram subjugados pela ganância do norte.

Se a Europa quiser apoiar Obama, tem agora uma ocasião de ouro para o demonstrar

O Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, não podia ter começado da melhor maneira a sua administração.
Logo no dia da tomada de pose, Obama assinou um diploma que suspendeu por quatro meses os julgamentos arbitrários dos reclusos da prisão da Base Naval de Guantánamo, em Cuba, e que suspendeu também os interrogatórios e a prática de tortura naquelas instalações.
Esta tinha sido uma das promessas eleitorais do recentemente eleito presidente norte-americano, que não perdeu tempo a pô-la em prática.
No dia seguinte, Obama e a sua administração decretaram o encerramento no prazo máximo de um ano da prisão do campo de horrores de Guantánamo.
Estas medias muito positivas receberam o aplauso da União Europeia e de todas as organizações de direitos humanos espalhadas pelo mundo.
Agora, uma vez assinados estes diplomas, há que pensar na melhor maneira de se resolver o problema, já que com o encerramento daquela terrível prisão os respectivos presos precisam de ser colocados.
Numa atitude sem precedentes, a diplomacia portuguesa e concretamente o Ministro Luís Amado, instou os países membros da Europa dos 27 a darem um ajuda a Obama e a disponibilizarem-se para receber os priosioneitos oriundos da prisão de Guntánamo.
Esta atitude, que dignificou o Governo português, foi prontamente saudada pelo porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Sean McCormack, que afirmou que “Portugal e o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Luis Amado, deveriam ser saudados pelo que fizeram para abrir a via a uma nova atitude europeia a este propósito”.
Por outro lado, a Amnistia Internacional já fez saber através do seu coordenador da Campanha “Combater o terrorismo pela Justiça”, Daniel Gorevan, que “os governos da Europa deviam seguir o exemplo corajoso de Portugal e contribuir para a solução que porá fim ao escândalo para os direitos humanos que é Guantánamo”.
O insigne Jurista português, Prof. Adriano Moreira, também já veio a público esclarecer que, à luz das normas jurídicas internacionais, os reclusos terão uma palavra a dizer quanto ao seu destino pós Guantánamo.
Neste momento, ainda há países europeus que põe determinadas reticências a esta questão, mas, para além de Portugal, países como a Alemanha, a Espanha e a Irlanda já anunciaram que estão disponíveis para receber ex detidos da prisão situada em solo cubano.
No meio deste extenso manancial de informação, uma coisa salta à vista: este problema é de difícil solução.
Contudo, se os europeus quiserem de facto apoiar Barack Obama e as suas reformas, têm neste caso uma ocasião de ouro para o demonstrar.

Francisco Balsinha

domingo, 25 de janeiro de 2009

Justiça, por onde andas?


Infelizmente, Portugal não é um país, é uma anedota.
Anedota triste, mas anedota.
Já não basta estarmos na cauda da europa nos mais diversos indices económicos e sociais, a nossa justiça também é o que se vê...!
Comecemos pelo famiderado caso Casa Pia, que nunca mais tem fim, no qual foi mais que provado que os míudos foram abusados sexualmente e psíquicamente, e onde agora todos os arguidos se declaram inocentes e clamam por justiça.
A semana passada, um Juiz deu como provado que o miúdo que diz ter sido seviciado por Paulo Pedroso, falou verdade nas acusações que fez àquele membro da direcção do PS.
Se o miúdo falou verdade, como asssegura o Juiz, então isso significa que é verdade que Pedroso particou mesmo actos pedófilos, pelo menos com este adolescente.
Assim sendo, o mais razoável bom senso manda que o processo Pedroso deva ser de imediato reaberto, para que, mais uma vez provados os factos, não fique sem punição o autor desta alegada canalhice.
Até ao momento, ainda não vi escrito em algum orgão de comunicação social nem ouvi em qualquer rádio ou televisão a reivindicação do que acima escrevi. Porque será?
No caso Maddie, que se tornou famoso em todo o mundo e do qual “nunca se apanhou o fio à meada”, um dos inspectores da Polícia Judiciária que trabalhava no apuramento da verdade acabou por ter que passar à reforma, por alegadamente as suas atitudes no apuramente dos factos terem sido consideradas excessivas.
Será que quando está em causa a vida de uma criança inocente e quando existem, como era o caso, várias pistas para desvendar, o Polícia encarregue do caso tem que se movimentar com o maior cuidado para não ferir susceptibilidades a alguém, seja quem fôr?
Se alguma Lei determina isso, não passa de uma Lei absurda que deve ser rapidamente banida do Código Penal.
Deixei para o fim, propositadamente, o caso que mais tem sido falado nas televisões e nos jornais nos últimos dias: o caso Freeport.
O dossier deste caso estava há muito metido numa qualquer gaveta de uma qualquer repartição pública, certamente à espera que o seu prazo de investigação terminasse.
Também o processo Freeport foi em tempos investigado pela PJ portuguesa, mas, mais uma vez, o Inspector do processo foi, como tantos outros em ocasiões diferentes, obrigado a reformar-se mais cedo.
Porquê, ninguém sabe...
Esta onda de reformas antecipadas de inspectores da PJ cheira-me a esturro.
No caso dos dois inspectores acima mencionados, a direcção da Polícia Judiciária nunca explicou publicamente porque os afastou em devido tempo e, que se saiba, o seu afastamento não se deveu a falta de zêlo ou a falta de capacidade profissional dos mesmos.
Quanto a este assunto, tal como eu, muitos portugueses gostariam de ter uma explicação para tais afastamentos.
No entanto, a Polícia inglesa, menos dada a “esquecimentos” deste tipo, decidiu “bater com a língua nos dentes” e alertar as autoridades portuguesas e a opinião pública para aquilo que diz ser uma mega fraude.
A presença da Polícia inglesa neste processo dá-nos algumas garantias de que o mesmo não deverá voltar à gaveta de origem, até que caia no esquecimento.



Tudo isto parece muito estranho.
Deixando de fora os Juizes, que de uma maneira geral são pessoas zelosas do seu trabalho, parece que paira uma nuvem sobre a justiça portuguesa, que só nos deixa ver o que mentes “superiores” entendem que pode ser visto, e que, ao mesmo tempo, encobre outros assuntos e factos que talvez essas mesmas mentes entendam que não devam chegar ao “Zé Povinho”.
Esta é a democracia que temos, 34 anos passados sobre o 25 de Abril de 1974.
Esta é também a democracia que merecemos, por termos sido nós, Povo português, quem em sucessivas eleições pusemos no Poder os mentores desta sociedade tão desvirtuada da verdade e dos direitos do cidadãos.
Vamos permitir isto até quando?!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

A mania da pelintrice

Ontem tive o grato prazer de estar alguns momentos à conversa com um amigo querido, meu padrinho de casamento e, ao mesmo tempo, um dos decanos do jornalismo português.
Devo até afirmar, por ser inteiramente justo, que algumas coisas da arte do jornalismo me foram ensinadas por ele, com enorme clarividência e o saber de longos anos de profissão.
A nossa conversa deteve-se primeiro, como não podia deixar de ser, na investidura de Barack Obama como Presidente dos Estados Unidos da América e na esperança que esse facto gerou na América e em todo o mundo.
Outro dos assuntos do dia sobre o qual conversámos teve a ver com a actual crise internacional e a eterna crise que tem tomado conta de Portugal.
Palavra vai palavra vem, demos connosco a avaliar as políticas económicas traçadas por alguns dos governos do nosso país e no quadro económico que Portugal apresentaria hoje, não fosse o caso de terem havido alguns excessos de governação, que afundaram ainda mais "este cantinho à beira-mar plantado".
Entre esses excessos contabilizámos a construção do Centro Cultural de Belém, a realização da Expo98, a construção de 14 estádios de futebol para que o Euro2004 se realizasse no nosso país, tudo isto envolvendo a gastança de largos milhões de euros, considerada supérflua porque qualquer daquelas infraestruturas não foi nem é essencial para o desenvolvimento de Portugal.
Mas gastança megalómana não se fica por aqui.
O Primeiro-Ministro José Sócrates assinou hoje em Espanha documentação que compromete, mais uma vez, os dois países na construção da linha do comboio de alta velocidade.
A par disso, é ainda intenção do Governo construir o aeroporto de Alcochete e a nova ponte Chelas – Barreiro, empreendimentos que serão financiados com recurso a créditos de intituições internacionais, os quais levarão cerca de 15 anos a liquidar.
Se somarmos os gastos dos governos anteriores na construção das infraestruturas atrás mencionadas, aos gastos dos projectos megalómanos do actual Governo, facilmente chegaremos à conclusão que foram e serão ainda esbanjados muitos mais milhões de euros, que não se sabe muito bem como vão ser pagos.
E isto num país que bateu no fundo, onde não há dinheiro para nada, onde o desemprego é demasiado alto e a precaridade também, onde os idosos têm pensões de vergonha para todos nós e onde o crime, a corrupção e o compadrio estão instalados a diversos níveis da sociedade.
Com a previsão de gastos que acima referi, os nossos governantes fazem-me lembrar aquelas famílias onde o pai se veste todos os dias de fato e gravata e tem um belo carro à porta, tudo comprado a crédito, mas dentro de casa os filhos andam mal vestidos e passam fome e já há diversas prestações em acaso.
São os novos ricos que, bem vistas as coisas, não passam de pelintras.
Na política também há gente chegada à pelintrice, que quer deixar obra feita para encher o olho ao Zé Povinho, nem que para isso tenha que endividar ainda mais o país.
Para esses políticos tenho um conselho: se realmente querem deixar obra feita, parem de gastar dinheiro desnecessário e o pouco que se vai arranjando que seja empregue a combater o desemprego, a ajudar as pequenas e médias empresas, a elever as míseras pensões dos nossos velhotes e a combater eficazmente o crime e a corrupção.
Bom, já sei que a adopção de medidas desta natureza não leva ao descerramento público de placas nem a que se tirem fotos de circunstância onde os “pavões” fazem reluzir a dentadura, mas em compensação, ficará a gratidão de um Povo que já não tem esperança no futuro.

Francisco Balsinha